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Aracaju: venha conhecer!


DE SÃO CRISTÓVÃO PARA ARACAJU – Um pouco de história

Por Antônio Corrêa Sobrinho, Auditor-Fiscal do Trabalho


Na época do descobrimento do Brasil, o território do atual estado de Sergipe, situado entre os rios São Francisco e Real, era habitado principalmente por índios Tupinambás, período em que piratas franceses negociavam livremente com estes a exploração do pau-brasil.

Quase um século depois, em 1590, durante a União Ibérica (1580-1640), após anos de conflitos verificados na região a partir de 1575, entre os índios e os portugueses que tentavam colonizar a região entre estes dois rios, Cristóvão de Barros, personagem destacado neste processo de colonização, fundou a Cidade de São Cristóvão de Sergipe d'El Rey, situada na margem do rio Paramopama, afluente do Vaza-Barris. Ali estabeleceu a Capitania de Sergipe d'El Rey, combatendo a pirataria francesa e desenvolvendo a região, com a criação de gado e produção de cana-de-açúcar.

De 1637 a 1645, Sergipe foi dominado pelos holandeses, que tomaram São Cristóvão, cidade incendiada pelos próprios portugueses, em 1638.

No fim do século XVII, a Capitania de Sergipe foi anexada à Bahia. Em 16 de fevereiro de 1696, é criada a Ouvidoria de Sergipe, com sede em São Cristóvão. Sergipe passa a ser comarca subordinada à Bahia. Nesta época, foram criadas as vilas de Itabaiana, Lagarto, Santa Luzia e Santo Amaro das Brotas.

O Decreto Real de 8 de julho de 1820 devolveu a autonomia da Capitania de Sergipe.

Após a independência do Brasil, em setembro de 1822, Sergipe tornou-se província do Império, com capital em São Cristóvão.

Da época da luta constante contra o estrangeiro audacioso e o íncola indomável, do tempo da emboscada, da supressa, da dúvida, aparecera assim a cidade alerta, a cidade fortaleza, erguidas em lugares elevados, sobre morros, colinas, escondendo-se do mar, caminho por onde chegavam os aventureiros, franceses, holandeses. São Cristóvão cumprira fiel e dedicadamente sua missão histórica; soubera seguir o seu destino. No século XIX, cidades como esta, já não tinham mais razão de ser. Os tempos tinham mudado. A paz descera sobre o Império, que se firmara. Não havia inimigos a temer. As cidades deixaram de ser cidadelas, tornaram-se centros comerciais.

Ademais, São Cristóvão não se desenvolveu, não cresceu sua população, na sua maioria pobre; seu comércio era limitadíssimo, e a cidade tinha aspecto miserável, a contrastar com a prosperidade da Província.

Além do mais, o escoamento da produção pelo Vaza-Barris não podia mais competir com o da Cotinguiba. Se pela barra daquele rio saíam, anualmente, 2.000 caixas de açúcar; por esta, 25 mil deixavam o porto.

Decididamente, não convinha que a sede da capital da Província continuasse a ser São Cristóvão, providência que se fez necessária para o desenvolvimento da lavoura, do comércio e da navegação.

E perdeu São Cristóvão esta condição. Como prêmio, a quarta cidade mais antiga do Brasil, guarda em seu seio, desde 2010, um dos Patrimônios da Humanidade: a Praça São Francisco de Assis.



Aracaju

De há muito se cogitava, no mundo político, econômico e financeiro, retirar de São Cristóvão, a sua condição de sede provincial, e até, aparentemente, existia uma disputa de interesses entre dois grandes latifundiários e políticos de então, o Barão de Maruim, que defendia a instalação da nova capital onde hoje ela se situa, e o Comendador Boto, que desejou ver a colonial Laranjeiras, a “Atenas sergipana”, também como sede política da Província, tendo este, inclusive, em 1832, apresentado à Assembleia Legislativa projeto neste sentido.

Cidades como Laranjeiras, também Maruim e Estância, que podiam disputar a preferência, por serem os maiores e mais ricos povoados da Província, achavam-se, da mesma forma que São Cristóvão, situadas no fundo de pequenos rios com dependência de marés, e toda a sorte de dificuldades para a navegação, além de lhes faltarem um entorno, o que por certo as impediria de jamais poderem ser praças importantes de comércio.

Aracaju, ao contrário, estava situado na barra do rio Cotinguiba (na verdade, a barra é do rio Sergipe, sendo o Cotinguiba um dos seus afluentes), sem dependência de marés e sem maiores obstáculos à navegação, possuindo um vasto, profundo e abrigado ancoradouro, sem falar da situação da barra, de domínio sobre a maior e mais rica porção do recôncavo da Província, a região de maior número de engenhos, nos vales do Japaratuba e Sergipe, e o melhor potencial fluvial.

Em 1853, começou a governar a província de Sergipe o jovem bacharel, nascido no Rio de Janeiro, Ignácio Joaquim Barbosa, e uma das suas realizações foi justamente fazer a mudança da sede do governo. Em 1854, transferiu a Mesa de Rendas Provinciais do Porto das Redes em Maruim para a Barra dos Coqueiros; em 19 de janeiro de 1855 trouxe a Alfândega para Aracaju; construiu o canal Japaratuba-Pomonga, para, finalmente, sancionar a Resolução nº 413, aprovada pela Assembleia, datada de 17 de março de 1855, elevando à categoria de cidade o povoado de Santo Antônio do Aracaju, além de, ao mesmo tempo, transferir a capital, da cidade de São Cristóvão para Aracaju. Ignácio Barbosa que, por ironia do destino, no areal e nas praias mefíticas da cidade que ele fez nascer pegou malária vindo a falecer no dia 6 de outubro de 1855, na cidade de Estância, onde foi sepultado, na igreja matriz.

A Câmara Municipal de S. Cristóvão e muitos são-cristovenses, em especial um tal de João Bebe Água, protestaram perante o Brasil e o Imperador D. Pedro II, que, cinco anos depois, em janeiro de 1860, na companhia de sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina, e de grande comitiva, visitou a antiga São Cristóvão e a recém-nascida capital dos sergipanos, o “cajueiro dos papagaios”, a planejada Aracaju do engenheiro Pirro, esta que nos seus, hoje, 164 anos de existência apresenta-se cada vez mais bonita e aprazível.